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  MÍDIA » Revista Car Stereo Tuning - nº 63 - Novembro 2004.

 

Que carro é este?

Se você, caro leitor, não atentar logo de cara para o símbolo dos quatro anéis entrelaçados, que identifica a marca alemã Audi, dificilmente arriscaria um palpite. Pois é, embora não tenha saído das pranchetas dos designers da Audi, nem de um estúdio de design europeu, japonês ou americano, o novo carro-show do fabricante de amplificadores e alto-falantes Falcon bem que poderia ser considerado um novo modelo. derivado de uma perua A80, ano 1994, de linhas retas, quadradas mesmo, e quase sem charme nenhum, para os padrões atuais, s obra-prima da loja paulistana Cocuroci vem substituir o Astra como carro-show da marca, que brilhou em duas versões, nas duas edições anteriores do Salão do Automóvel, e foi um dos carros tunados mais copiados, clonados e imitados dos últimos tempos.

A tarefa, ou melhor, o desafio, de superar o impacto causado pela obra anterior moveu corações e mentes da equipe comandada por Marcelo Cocuroci, que ficou debruçada por seis meses no projeto e na execução da encomenda. Concluído exatamente na véspera de sua aparição no Salão do Automóvel, o carro chega a chocar, no sentido positivo da palavra, quem vê pela primeira vez. E era este mesmo o objetivo. "Queria um carro que fosse a atração central dessa área do salão, a exemplo do que aconteceu com o Astra nos anos anteriores", diz Wlamir Henrique, diretor comercial da Falcon. Segundo Wlamir, Marcelo Cocuroci teve total liberdade de criação do carro. "A única diretriz imposta foi a de que o carro ficasse harmônico com a nova linha de produtos da marca, que equipam o Audi", diz Wlamir. Afinal, o carro-show de uma marca de produtos deve focar os produtos, e não o carro. "Deve ser como uma vitrine ambulante, mas uma bela vitrine", conclui.

Célula-Tronco

Para a reconstrução do Audi, Marcelo não tirou da cabeça a idéia de que o resultado final deveria ser objeto de desejo, ou pelo menos de imitação, de centenas de outros carros tunados espalhados pelo país. "Tinha de faer um trabalho que deixasse o carro irreconhecível, a partir de uma base que atualmente, até pode ser considerada feia", diz o profissional.

O primeiro passo foi conceber o visual externo. O desafio: a perua de quatro portas (sim, o carro tinha quatro portas), com frente quadrada, não ajudava em nada. "Como eu só não poderia cortar o teto, por imposição da Falcon, tudo o mais poderia ser feito" diz. A frente original foi substituída por uma frente do Fiat Stilo. Um funileiro "das antigas", competente porém pouco habituado às loucuras do tuning, foi convocado para, sob o comando do pessoal da Cocuroci, moldar a lataria do que seria um novo carro. "Tudo foi feito em estanho e lata, nada de fibra", explica Marcelo. "Com o maçarico ligado, partes como o capô e pára-choques eram sendo arredondados. Mas o maior desafio foi convencer o homem da funilaria a soldar as portas traseiras. Outras providências foram aumentar os vãos para o encaixe das quatro rodas aro 20", a retirada das maçanetas e do rack do teto. Novas lanternas foram criadas para a traseira, iluminada com leds. O capô, em estilo bad boy, mais baixo, e faróis do Stilo também foram providenciados.

O pára-choques traseiro ganhou extratores gigantes, com bocas de escape retangulares, pintadas internamente de branco, com saliências nas laterais. As saias laterais, de lata, foram unidas às portas. Na dianteira, a novidade é uma única, e grande, entrada de ar central, no lugar das múltiplas entradas e telas, com uma grade de akumínio que sustenta o símbolo dos quatro anéis. "Uma curiosidade: depois de pronto o pára-choque, percebemos que ele ficou parecido com a peça criada pelos designers da Audi para o modelo que estrela o filme 'Eu, Robô', mas é só uma coincidência. o nosso ficou pronto antes do filme vir a público", esclarece Marcelo.

Terminada a cirurgia plástica, restava cuidar das cicatrizes deixadas pelo maçarico. A pintura utilizou tinta da marca norte-americana House of Color. Sobre o carro preparado com fundo, foi feita uma primeira pintura na cor prata, depois coberta com tinta azul transparente. "Foram utilizadas 40 latas de verniz, em vez das quatro latas usadas habitualmente para pintar um carro", diz o dono da Cocuroci. Outro número que impressiona é o de 80 litros de solvente usados durante a preparação do carro. Em resumo: tinta prata, adesivos que resultaram na colméia que cobre toda a lateral, pintura de grafismos feitas com aerógrafo, em tons sobre tons, de branco e azul, e por último, a tinta azul e o verniz. Duas latas de purpurina flake, americana, foram misturadas ao verniz. As rodas aro 20" são da Binno, originalmente cromadas, mas que acabaram pintadas de branco para melhor harmonizar com o carro, inspirado nas cores da logomarca da Falcon, aul e branco.

Conjunto formado por pastilhas de freio, cubo e pinças também foram pintados de azul, oriundos da F-250. Os pneus são da marca Toyo, medidas 235/40/20. A suspensão, do tipo pneumática, foi feita por meio de pistões hidráulicos, no lugar dos amortecedores. Com o auxílio de uma bomba de óleo, frente e traseira sobem e descem. "É o mesmo sistema usado nos low riders, só que o carro não pula", simplifica Marcelo.

Cockpit

No local do assento traseiro, foram construídas seis caixas seladas de 40 litros cada para seis subs de 15" da nova linha HT. No meio dos bancos dianteiros. duas barras sustentam uma garrafa de nitro, que vai até a caixa dos subs. O cockpit utilizou dois bancos concha da Shutt forrados pela Cocuroci. Relógios da Autometer de fibra de carbono com anéis cromados foram iluminados de branco e ocupam o centro do painel totalmente reconstruído. Para permitir a manutenção das funções originais do painel com os novos relógios, os instaladores da Cocuroci aproveitaram a central eletrônica original do Audi. No total são 10 relógios dispostos à frente do motorista. Que monitoram desde a velocidade até o nível da água e de óleo. Ainda no painel, pintado parcialmente de azul com flake, Marcelo instalou dois pares de kit duas vias da nova linha da Falcon, com os tweeters no painel. As laterais de portas foram mudadas e tubos cromados trançados fariam a dupla função. decorativa e de proteção aos kits de falantes ali instalados. Outro par de kits foi para a traseira do veículo, para dar mais volume. O assoalho foi pintado de azul. Volante, manoplas de freio e de câmbio também são da Shutt.

Os subs tiveram acabamento com anéis de acrílico de 40 mm, iluminados por baixo. O resultado: quando ligado, o anel fica aceso e a borda do falante permanece pintada de branco. Sobre a caixa, um enorme X também iluminado de branco.

Os amplificadores foram dispostos aos pares, um para cada sub, um para cada dois kits, no total de seis, todos da linha FX. No porta-malas, ainda, dois monitores Alpine, mesma marca da unidade principal, um IVA D-900, instalada no console central. Todo o compartimento foi pintado de tinta azul, com teto revestido em branco. Néon, apenas na grade do pára-choque central. O motor V6 original ganhou chip de potência, além do kit de nitro.

Fonte: Revista Car Stereo Tuning - nº 63 - Novembro 2004

 
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